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domingo, 4 de abril de 2021

MORTA COM TIRO Comissão da OAB pede que policial que matou cadela que protegia seus filhotes seja investigado

Mariana Dandara | Redação ANDA

O caso comoveu os membros da Comissão de Defesa dos Direitos dos Animais da OAB, que decidiram tomar providências para que o policial responsável pela morte da cadela fosse investigado pelo crime de maus-tratos a animais


Foto: Redes Sociais

A Comissão de Defesa dos Animais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) pediu que a Delegacia de Meio Ambiente investigue o caso da cadela da raça pit bull que havia dado à luz e foi morta com um tiro disparado por um policial durante uma operação da Polícia Civil realizada na terça-feira (30) na Rua do Giz, na região central do município de São Luís, no Maranhão. Sem entender o que havia acontecido com a cadela, os filhotes da pit bull a cercaram, buscando aconchego na mãe.

Imagens de câmeras de segurança que flagraram o disparo foram entregues para os policiais. Para OAB, é necessário investigar o policial por maus-tratos e por excesso, já que ele efetuou o disparo em via pública.

O tiro foi disparado, segundo o Batalhão de Polícia de Turismo, que participou da operação, enquanto dois policiais civis trabalhavam para prender dois homens na região. Um dos agentes baleou a cadela, que foi resgatada com vida por uma clínica veterinária, mas não sobreviveu. Os filhotes também foram salvos e estão disponíveis para adoção.

Após o resgate, os filhotes ficaram sob a responsabilidade da fundadora e presidente da ONG Dindas Formiguinhas, Karina Leda Borjas. Eles estão convivendo com outros cães resgatados e estão sendo alimentados por meio de mamadeiras.

“Como eles são muito pequenos e ainda estão mamando, precisam de um cuidado redobrado. Então, ontem eles passaram o dia, a noite na “Quatro Patas’. Fizeram exames, foram vermifugados, passaram por consulta veterinária pra poder ter a alta e assim seguir pra que a gente faça os cuidados devidos até que eles estejam aptos pra adoção”, contou a presidente ao G1.

Como havia dado à luz recentemente, a cadela ainda tinha pontos da cesárea quando foi morta. O caso comoveu o representante da Comissão de Defesa dos Direitos dos Animais da OAB, Sebastião Uchôa, que solicitou que sejam abertos um processo administrativo contra o agente responsável pelo tiro e uma investigação policial.

“Inclusive encaminhei o projétil que foi extraído do corpo da vítima, do animalzinho juntamente com as imagens com o objetivo da delegada instaurar o inquérito policial para apurar o crime ambiental demonstrado com o agravante de óbito e ao mesmo tempo o disparo de arma de fogo em via pública dentro desse contexto”, disse Sebastião Uchôa.

“Em branco não pode ficar. Uma coisa é certa. Pela natureza da descrição e aquele animal que tinha sido cirurgiado já, estava gestante, tinha acabado de dar aquela cria, me parece pelo que eu já levantei já preliminarmente, não colocava em risco a ninguém. Precisa responder pelo excesso pra não gerar impunidade e que fique de lição para os demais policiais que eles são protetores da sociedade e do meio ambiente”, continuou.

Karina Leda também ficou indignada com a violência cometida contra a cadela. “Como protetora não posso aceitar. Porque você poderia dar um tiro pra cima, um tiro no chão, um tiro na pata, mas não atirar de tal forma que rompesse toda uma coluna vertebral e o animal entrasse em óbito na mesma hora. Não tem justificativa. Ela estava defendendo as crias, é do instinto materno. É defender as suas crias, é proteger do perigo, mesmo que pra isso ela pague com a vida”, desabafou.

Um inquérito foi aberto pela Delegacia de Meio Ambiente, que irá investigar o caso e chamar os envolvidos para prestar depoimento.

Fonte: Anda - www.anda.jor.br / Anda - Agência de Notícias dos Direitos dos Animais

Matéria postada pelo jornalista Claudinei Prado / MTPS 23.455/SP e IFJ 674 BR

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