"Ninguém conseguia dizer 'Pousada' sem pensar 'Anita'", registra a justificativa do projeto".
Ela percorreu aquela estrada tantas vezes que perdeu a conta. Rezou Ave-Marias em cada curva, levou no colo os pedidos que as pessoas lhe confiavam, e chegou sempre com um sorriso que, dizem os que conheceram, desarmava qualquer tristeza.
Agora, por decisão da Câmara Municipal de Roncador, a estrada que leva à Pousada Parque das Gabirobas terá, oficialmente, o nome dela: Estrada Anita Dias Machado.
O Projeto de Lei nº 02/2026, de autoria do vereador Amadeu Elizio Santos, foi protocolado em 18 de maio — menos de um mês após a morte de Anita, ocorrida na madrugada de 21 de abril de 2026, aos 75 anos.
Ela partiu do lugar que amava, nos braços do amigo de mais de 50 anos, Mariano Almeida Machado, fundador da pousada onde ela era, nas palavras do próprio autor do projeto, "a dona de todos os corações".
Uma vida inteira de recomeços
Nascida em 1º de abril de 1951, na comunidade Rio Claro, em Araruna, Anita chegou a Roncador ainda menina, aos 13 anos, acolhida pelos padrinhos Sadi e Iracema Portes.
Casou-se em 1973 com Evandro Jaury Machado e construiu família — mas a vida não lhe poupou a dor. Perdeu o primeiro filho no parto, em 1974. E em novembro de 1982, ficou viúva, grávida, com dois filhos pequenos.
Não teve tempo para a melancolia. Formada no Magistério, voltou a dar aula e, depois, encontrou no comércio — nas Casas Brasil — uma nova vocação. Percorreu cidades, fez amigos em cada balcão, e transformou clientes em compadres. Era assim: onde Anita chegava, ela ficava.
A alma da pousada
Nos anos 2000, quando Mariano realizou o sonho da Pousada Parque das Gabirobas, Anita foi junto — como sempre. Não era sócia no papel, mas era a alma do lugar. "Ninguém conseguia dizer 'Pousada' sem pensar 'Anita'", registra a justificativa do projeto.
Ali ela viu os filhos crescerem, os netos chegarem, os casamentos acontecerem. E nunca quis sair. Porque a pousada, para ela, não era trabalho. Era vida.
Ela foi exatamente assim até o fim: rápida, inteira, fazendo o sinal da cruz antes de fechar os olhos. Partiu sem sair do lugar que amava.
"Anita não morreu. Virou saudade, virou história, virou exemplo."
— Amadeu Elizio Santos, vereador e autor do projeto.
Fonte: Assessoria da Câmara de Vereadores de Roncador - PR.
Postagem do jornalista Claudinei Prado - MTPS 23.455/SP e IFJ 674 BR.


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