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quarta-feira, 24 de junho de 2026

FENAJ repudia “censura privada” da Meta e alerta para apagão informativo em ano eleitoral

(c) - Reprodução

Entidade denuncia derrubada arbitrária de perfis e sites de jornalismo independente, especialmente no Norte e Nordeste, e cobra transparência das big techs após nova diretriz do STF


A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) manifestou na última, segunda-feira (22/jun) profundo repúdio à onda de remoções de perfis em redes sociais da Meta e de sites de jornalismo independente e alternativo no Brasil. 


Em nota divulgada em conjunto com seus sindicatos filiados, a entidade classificou as ações como “grave forma de censura privada” e alertou para o risco de silenciamento da informação plural às vésperas do período eleitoral.


O posicionamento ocorre dias depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) ajustar as regras de responsabilidade das plataformas digitais por conteúdos publicados por terceiros. Em 17 de junho, a Corte fixou prazo de 60 dias para que as big techs implementem obrigações estruturais e reforçou a responsabilidade solidária em casos de conteúdo ilícito. A decisão, segundo a FENAJ, pode estar impulsionando remoções mais agressivas como forma de as empresas se blindarem contra eventuais punições.



A nota oficial da entidade (leia a íntegra ao final) denuncia um quadro especialmente crítico nas regiões Norte e Nordeste, onde veículos independentes muitas vezes representam a única cobertura jornalística local. 


Na Amazônia, o portal Tapajós de Fato, do jornalista Adriano Wilkson, e a jornalista Mary Tupiassu, do Amazônia no Ar, tiveram perfis suspensos sem aviso prévio ou com base em denúncias questionáveis de direitos autorais. “As plataformas — especialmente a Meta — parecem operar sob uma lógica perversa: primeiro derrubam, primeiro punem e só depois investigam”, diz o texto.


No Nordeste, a Rede Cajueira, que há cinco anos fortalece a produção jornalística regional, teve sua conta no Instagram desativada sem justificativa adequada, interrompendo um canal construído junto a milhares de leitores.



A FENAJ também repudia a derrubada do site do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP), ataque que a entidade interpreta como uma ofensiva contra a organização sindical e o direito coletivo de comunicação.


A federação alerta ainda que grupos organizados têm explorado fragilidades algorítmicas para derrubar perfis críticos por meio de campanhas massivas de denúncias falsas, criando um ambiente propício ao silenciamento de vozes independentes durante o calendário eleitoral.


Diante desse cenário, a FENAJ cobra transparência imediata das plataformas em seus processos de moderação, mecanismos efetivos de contestação e diálogo com a categoria jornalística, além de exigir que o poder público adote medidas para proteger a liberdade de imprensa e o direito à comunicação.



Íntegra da nota da FENAJ

A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), em conjunto com seus sindicatos filiados, vem a público manifestar seu mais profundo repúdio e preocupação diante da crescente derrubada de perfis de redes sociais vinculados a contas da Meta e de sites de jornalismo independente e alternativo no Brasil. 


Tais medidas, frequentemente adotadas de forma arbitrária e sem transparência, configuram uma grave forma de censura privada das plataformas, comprometendo o direito à informação, a liberdade de imprensa e a pluralidade do debate público.


A situação é particularmente alarmante nas regiões Norte e Nordeste, onde veículos independentes desempenham papel essencial em territórios considerados desertos de notícias, sendo, muitas vezes, as poucas vozes a registrar conflitos socioambientais, violações de direitos humanos e pautas invisibilizadas pelos grandes meios de comunicação.


Na Amazônia, casos recentes como os do jornalista Adriano Wilkson, do portal Tapajós de Fato, de Santarém, e da jornalista Mary Tupiassu, do Amazônia no Ar, revelam um preocupante padrão de vulnerabilidade. As contas dos profissionais e do portal foram suspensas sem aviso prévio ou a partir de denúncias questionáveis envolvendo direitos autorais. 



Como relatado pelos próprios jornalistas, as plataformas — especialmente a Meta — parecem operar sob uma lógica perversa: primeiro derrubam, primeiro punem e só depois investigam. O resultado é o apagamento temporário de pautas essenciais para a compreensão da realidade amazônica.


No Nordeste, a Rede Cajueira, que há cinco anos fortalece o jornalismo nordestino e a produção de conteúdo regional, teve sua conta no Instagram desativada sem justificativa adequada, interrompendo um canal construído junto a milhares de leitores e leitoras.


A FENAJ alerta que esse fenômeno pode se intensificar com a proximidade do período eleitoral. Grupos organizados têm explorado as fragilidades dos algoritmos das big techs para derrubar perfis críticos através de campanhas massivas de denúncias falsas. 


A combinação entre mecanismos automatizados de moderação, fragilidades algorítmicas e campanhas coordenadas de denúncias falsas cria um ambiente favorável à censura privada das plataformas, permitindo o silenciamento de vozes críticas e independentes.


(c) - Pólos de Roncador e Campina da Lagoa - PR.

Somando-se a esse cenário preocupante, a FENAJ repudia a derrubada do site do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP). O ataque a uma entidade com quase 90 anos de história e reconhecida trajetória de defesa da democracia, dos direitos trabalhistas e da liberdade de imprensa representa também um ataque à organização sindical e ao direito coletivo de comunicação.


Não aceitaremos que instrumentos fundamentais de informação, mobilização e denúncia sejam retirados do ar, dificultando o diálogo entre as entidades representativas e a categoria dos jornalistas.


Os canais de jornalismo independente, popular, sindical e alternativo são conquistas democráticas fundamentais para o fortalecimento do pluralismo informativo e para ampliar a voz de grupos historicamente invisibilizados pelos grandes conglomerados de comunicação.


(c) - Prado Editora, mais uma marca registrada do jornalista Claudinei Prado

A FENAJ exige transparência imediata das plataformas digitais em seus processos de moderação e cobra das autoridades públicas medidas efetivas para garantir a proteção da liberdade de imprensa e o direito à comunicação.


Brasília, 22 de junho de 2026.


Federação Nacional dos Jornalistas – FENAJ

Sindicatos de Jornalistas do Brasil


Hamburgueria DosPiá Artesanal, novo endereço, 
antiga casa do Vanderlei Manzano - Roncador - PR.


Fonte: Novo Cantu Notícias - ww.novocantu.com.br

Postagem do jornalista Claudinei Prado - MTPS 23.455/SP e IFJ 674 BR.


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Fones: 44 99808 4623 e 44 9 8426 2992

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