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quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Primeiro rinoceronte-de-sumatra capturado em tentativa urgente de conservação da espécie

Este rinoceronte-de-sumatra, em grave ameaça de extinção, foi fotografado no Zoológico de Cincinnati, em Ohio. Acredita-se que existam 80 ou menos restantes na natureza. (FOTO DE JOEL SARTORE, NATIONAL GEOGRAPHIC PHOTO ARK)
Há alguns dias, um dos últimos rinocerontes-de-sumatra do mundo caiu em uma armadilha de fosso montada na ilha de Bornéu.

Felizmente, a armadilha não foi colocada por caçadores ilegais, mas por uma associação internacional de organizações de conservação chamada Resgate ao Rinoceronte-de-Sumatra, criada com o intuito de salvar a espécie da extinção.

Restando menos de 80 dessas raras criaturas em vida selvagem, a esperança é que essa fêmea, que recebeu o nome de Pahu, possa proporcionar alguma diversidade genética extremamente em falta na população de rinocerontes que está sendo criada em cativeiro em outras partes da Indonésia.

“Quando uma população chega a esse nível de 80 animais, todo e cada indivíduo passa a ser muito importante”, afirma Susie Ellis, diretora-executiva da Fundação Internacional para os Rinocerontes. “Isso significa que o programa de criação em cativeiro está prestes a se expandir”.

“O rinoceronte-de-sumatra é um dos mamíferos mais distintos do planeta, do ponto de vista evolutivo, e o resgate ocorrido nessa semana é um passo crucial para que não seja perdido um ramo inteiro da árvore da vida dos rinocerontes”, diz Jonathan Baillie, vice-presidente executivo e cientista-chefe da National Geographic Society, parceira da Resgate ao Rinoceronte-de-Sumatra.

“Mas isso é só o começo. Se quisermos salvar essa espécie, precisamos do intenso apoio de outras pessoas e organizações”.

Uma vila inteira para carregar um rinoceronte

Transportar um animal selvagem de grande porte é sempre um processo delicado, mas, se consideramos que Pahu foi capturada numa remota concessão de mineração no coração de uma floresta tropical baixa, a epopeia de remoção desse animal começa a soar um tanto hercúlea.

RINOCERONTES-DE-SUMATRA ESTÃO QUASE EXTINTOS, MAS HÁ UM PLANO PARA SALVÁ-LOS
Os rinocerontes-de-sumatra são uma espécie em risco crítico de extinção: restam apenas 80 indivíduos.
Inicialmente, Pahu recebeu sedativo antes de ser levada até um guindaste, que por sua vez foi preso a um caminhão. Veterinários da Indonésia, Malásia e Austrália trabalharam juntos para garantir a segurança e o conforto do animal durante toda a viagem.

Ao mesmo tempo, uma mineradora local enviou uma escavadeira para viajar com a equipe e ir limpando o entulho das estradas que havia se acumulado em função de fortes chuvas. E uma escolta policial garantia que o comboio não fosse interrompido por observadores curiosos e outras distrações.

 No fim das contas, o percurso de 150 quilômetros de Kutai Oeste até o centro de reabilitação mais próximo em Kelian só foi concluído ao raiar do sol na manhã da terça-feira. E Pahu tirou tudo isso de letra.

“Ela está contente. Está saudável. Está comendo. Está dormindo. Está fazendo todas essas coisas maravilhosas que nós gostaríamos que ela fizesse”, diz Margaret Kinnaird, que vem coordenando os esforços da WWF International para preservação de rinocerontes nos últimos dois anos. (A WWF também faz parte da associação Resgate ao Rinoceronte-de-sumatra).

“E sabe o que mais? Tudo isso aconteceu no meu aniversário!”, diz Kinnaird. “Abri meu e-mail e pensei: ‘Nossa, que presente!’”

Um pouquinho de paciência

Acredite ou não, mas a WWF-Indonésia e sua equipe de ONGs locais vêm tentando capturar Pahu desde abril de 2018.

“O tempo de espera foi exaustivo”, afirma Kinnaird. “Mas preciso aplaudir de pé o pessoal que estava em campo pelos oito meses de insistência esperando que essa rinoceronte caísse na armadilha”.

Contudo, agora, começou um tipo diferente de espera.

Embora saibamos que Pahu é fêmea, ainda é impossível dizer se ela tem idade suficiente para ter maturidade reprodutiva, ou pior, se ela já está infértil.

“As rinocerontes-de-sumatra desenvolvem tumores uterinos se não acasalarem”, diz Ellis.

Esse é um dos motivos pelos quais os conservacionistas anseiam tanto por capturar as populações fragmentadas restantes e aproximá-las umas das outras. Em Sumatra, por exemplo, acredita-se que os cerca de 75 animais selvagens lá restantes estejam espalhados em 10 subpopulações diferentes. E em Bornéu, onde Pahu foi capturada, pode ter sobrado menos de 10 indivíduos.

Para conseguirem identificar a condição de Pahu, os veterinários precisam primeiro trabalhar para que ela se acostume com a presença deles. Até mesmo uma boa análise dos dentes do animal pode dar informações importantes quanto à idade.

“Ela precisa de treinamento para entrar numa estação de tratamento e permitir que os veterinários a manipulem e examinem de formas que a maioria dos rinocerontes certamente não gostaria de ser examinada”, diz Kinnaird.

“Pode levar alguns dias. Ou talvez algumas semanas”.

Fonte: National Geographic
Site: www.ambientebrasil.com.br
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